terça-feira, agosto 01, 2006

Se quiser saber mais sobre as actividades do Instituto da Inteligência clique em
www.institutodainteligencia.blogspot.com

terça-feira, julho 25, 2006

Por que há tanto insucesso escolar?

Insucesso escolar mascara frequentemente a incapacidade do sistema para atender à natureza específica de cada aluno

Aprender é a actividade que o cérebro sabe fazer melhor. É, na verdade, uma condição de sobrevivência na vida animal e, obviamente, entre os humanos. Então porque parece tão difícil aprender na escola?
Com efeito, o insucesso escolar em Portugal, sendo um dos mais elevados do mundo ocidental, parece sugerir que um elevado número de alunos tem dificuldades de aprendizagem.

Antigamente, associava-se o insucesso escolar à falta de capacidades intelectuais e a uma fraca inteligência. Felizmente, nos dias de hoje, esta visão redutora começa a dar lugar a uma compreensão mais aberta e lúcida sobre os problemas que o fenómeno envolve.

De acordo com os vários estudos que o Instituto da Inteligência tem desenvolvido nos últimos 8 anos, a maioria dos alunos com insucesso académico revela o mesmo potencial de aprendizagem que os demais sendo a sua inteligência considerada normal e, muitas vezes, acima da média.

Então, por que há tanto insucesso escolar? Os números variam de fonte para fonte mas estima-se que este problema social afecte entre 20% e 40% dos alunos do 1º ao 3º ciclo. Destes apenas 5% e 15% revelam alguma forma de incapacidade devida a pequenos défices e transtornos neurológicos como é o caso da dificuldade de concentração e da dislexia. As razões para o insucesso são, de facto, as mais diversas mas geralmente tende-se a "culpar" o aluno das suas dificuldades. Esta visão é redutora e impede a procura de soluções inteligentes.

Um dos graves problemas que afectam o sistema de ensino é a sua incapacidade para compreender a diversidade de factores pessoais que estão implicados nas aprendizagens. Apesar dos professores reconhecerem que cada aluno apresenta-se na escola com um conjunto de características únicas que influenciam o seu percurso académico (temperamento, carácter, inteligência, estilo cognitivo, educação, objectivos, emocionalidade, comportamento, etc.) há, por parte da escola, uma enorme dificuldade em responder aos diferentes "estilos de pessoas" que enchem as salas de aula.

Se é um facto que, sendo monolítico por natureza, o sistema de ensino espera que cada aluno seja capaz de se esforçar e adaptar às exigências académicas, também não é menos verdade que a escola, enquanto instituição, deve criar condições para que cada aluno retire o máximo do seu potencial de aprendizagem sem as restrições impostas pela falta de motivação, de interesse e de objectivos de crescimento pessoal.

O sistema está excessivamente burocratizado e prejudicado por uma número impressionante de carências, atrasos e erros estruturais. Por outro lado, o modelo vigente de ensino, arquitectado há centenas de anos, mostra-se cada vez mais obsoleto e limitado na sua capacidade de resposta perante os novos desafios. Os programas não estão conforme as necessidades da novel sociedade da informação. A maioria deles são excessivos, ambiciosos e provocam mais ignorância do que sabedoria ao promoverem o desinteresse e premiarem as cábulas.

Numa sociedade competitiva, em que a riqueza das nações reside no Conhecimento, aquilo de que os alunos necessitam não é a utilização intensiva da memória mas a aplicação criteriosa e criativa do pensamento e da inteligência para aprenderem com sucesso e com entusiasmo.

Neste capítulo, o sistema académico actual capitulou perante o insucesso escolar. Não é com medidas meramente administrativas e avulsas que os problemas se resolverão mas com uma transformação substancial e radical do modelo e dos métodos de ensino.

terça-feira, maio 09, 2006

Entrevista à RCI (revista de professores)


Chama-se RCI e é a revista do Sindicato dos Professores da Região Centro. Numa entrevista conduzida por Luis Lobo, respondi a várias questões sobre a educação e insucesso escolar. Eis o texto integral da mesma.
"A entrevista que publicamos, poderá não obter o consenso e por isso suscitar polémica. No entanto, muitas das suas posições vão ao encontro do diagnóstico que o SPRC e a FENPROF fazem da situação actual no sistema educativo português, quer no subsistema público, quer no privado.
O RCI reforça os alertas lançados por Nelson Lima em relação à forma como se está a conduzir os destinos da educação no que concerne ao exercício da profissão docente e às consequências que daí advêm para a saúde mental e física destes profissionais, ao mesmo tempo que salienta o facto de Portugal estar a tratar mal as gerações do futuro.
RCI - Segundo dados do Instituto de Inteligência, que divulgou recentemente, existe um número elevado de crianças e de jovens que apresentam dificuldades de aprendizagem. Sem querer antecipar os resultados do rastreio que está em curso, quais são os principais motivos dessas dificuldades que se reflectem, depois nos resultados do sucesso escolar e educativo?
Nelson Lima - Conhecem-se actualmente cerca de 100 factores que podem estar directamente implicados no aparecimento de dificuldades de aprendizagem. As causas podem ser muito diversas: problemas relacionados com disfunções cerebrais ligeiras (ex: hiperactividade, dislexia, perturbações perceptivas, etc), problemas emocionais e de comportamento (ansiedade generalizada, carências afectivas, etc), problemas familiares (pobreza, privação cultural, etc), problemas derivados do próprio ensino (turmas excessivas, programas demasiado densos, excesso de ocupações escolares e outras, etc).
RCI - Também em entrevista recente a uma estação de rádio referia que existem condições objectivas da organização das turmas que levam a que a gestão dos picos de atenção de cada aluno, considerados individualmente, é muito difícil, por parte do professor. Importa-se de explicar melhor esta questão?
Nelson Lima - Considero o actual modelo de escola totalmente esgotado e inadequado à realidade da sociedade moderna. O modelo é muito clássico, pesado, excessivamente burocratizado, denso e fazendo apelo à memorização apressada.
As mais de 3 mil crianças que estudei nestes últimos anos levaram-me a concluir que a escola é responsável por grande parte do insucesso escolar (a isto chama-se pedogenia). Também os professores – que muito respeito - têm, na maioria dos casos, pouquíssima formação pedagógica e parcos conhecimentos sobre como as crianças aprendem, nomeadamente sobre os estilos de aprendizagem, os estilos de processamento da informação cognitiva de cada aluno, os tipos de alunos (sobredotados, hiperactivos, indigo, etc) etc. Descurando a realidade cognitiva e psicológica de cada aluno e obrigando todos a pensar e a aprender da mesma maneira, a escola está a transformar-se num “big brother” com muitos maus resultados.
RCI - Em que medida é que a conjugação das dificuldades de aprendizagem com a inadequada organização das turmas determina situações de cansaço dos professores (burn-out), afastando-os, por vezes, longos períodos da actividade lectiva?
Nelson Lima - O sistema de ensino complicou-se com a sua massificação. A rede escolar cresceu desmesuradamente nas últimas décadas e envelheceu. As turmas são por vezes enormes e com programas excessivamente longos e complexos. Os professores têm de conviver com diferentes tipos de atitudes, competências e comportamentos por parte dos alunos. A gestão das aulas tem-se tornado numa tarefa cada vez mais exigente. Enfim, com tudo isto, não é de admirar que cerca de 10% (dez por cento!) dos professores portugueses sofram de “burn-out” - uma forma de esgotamento muito grave que obriga a dois anos de recuperação e, muitas vezes, com sequelas que se prolongam por toda a vida.
RCI - E esse afastamento forçado da actividade não será também factor de frustação e de rejeição dos professores em relação à escola?
Nelson Lima - A actividade de professor é das intelectualmente mais esgotantes e exigentes. Está no topo das carreiras mais estressantes em todo o Mundo. Um professor competente tem um envolvimento não apenas académico, mas também emocional com os seus alunos, que tanto pode ser gratificante como decepcionante. Alegrias e tristezas convivem lado a lado na sua relação com a função de ensinar e apoiar.
Juntando a tudo isto o facto de também terem uma vida privada, nem sempre fácil nem tranquila, compreende-se que ao longo da carreira sofram diversas moléstias. Hoje em dia, os professores são presas fáceis não só do “stress” como também da ansiedade e da depressão.
RCI - Em que medida podem os atrasos nas colocações de professores e a ansiedade pela instabilidade que geram, muito superiores ao que já se previa em Agosto, determinar situações de burn-out entre os docentes?
Nelson Lima - Nos muitos testemunhos de professores que assisti ao longo das várias semanas em que duraram os atrasos nas colocações de professores percebi uma série de feridas que durarão o seu tempo a sarar, nomeadamente as provocadas pelo desespero, a insegurança, o medo, a angústia e a raiva. As estruturas emocionais de milhares de professores foram postas à prova. Não sendo factores que conduzam directamente para situações irreversíveis de “burn-out” podem ter fragilizado, porém, a sua capacidade de reacção ao “stress” a que agora estão sujeitos nas salas de aula. Assim, não ficarei surpreendido se, dentro de alguns meses, a percentagem de portadores de “burn-out” (esgotamento) subir em flecha.
RCI - “Professor, Profissão de risco” Ou “Professor, uma Profissão com futuro”?
Nelson Lima - As duas perguntas merecem um “sim”, sem qualquer hesitação da minha parte. Mantendo-se o actual modelo de ensino continuará a ser uma profissão de elevado risco. Por outro lado, e acreditando que algo terá de mudar rapidamente, será, mais do que nunca, uma profissão de futuro. Numa sociedade dita da informação e do conhecimento, o papel do professor mudará de forma notável tornando-se, cada vez mais, num agente que, mais do que transmitir conhecimentos, ajudará os alunos a saberem pensar, raciocinar, a serem criativos e a desenvolverem a sua inteligência.
RCI - Se é possível inferir, da análise que é feita, sugestões para uma nova organização das turmas e dos tempos lectivos, quais aquelas que entende que poderiam ser tomadas no plano imediato?
Nelson Lima - Sou um adepto convicto do modelo “essencialista” de ensino, criado pelo pedagogo americano Theodore Sizer. Neste modelo pedagógico, os alunos não são empurrados para a memorização de matérias, mas para a utilização plena das suas mentes e o desenvolvimento das competências intelectuais. Milhares de escolas, nos Estados Unidos, seguem já o “essencialismo”. O ensino é personalizado devido ao facto de as turmas serem pequenas. Os professores têm uma responsabilidade directa por apenas 80 alunos. Há menos disciplinas mas mais profundidade nos temas. As aulas estão organizadas em blocos de 2 horas e são interdisciplinares facilitando a pesquisa, o trabalho de grupo e a elaboração de projectos. Insistir no modelo clássico que temos em Portugal é aumentar o insucesso escolar de ano para ano. Não tenhamos ilusões.
RCI - Sendo a formação de professores uma necessidade profissional permanente, é possível determinar quais as opções de formação que deveriam ser tomadas com vista a obstar aos problemas determinados ao nível das dificuldades de aprendizagem?
Nelson Lima - No que concerne às dificuldades de aprendizagem seria muito útil aos professores saberem mais sobre estilos de aprendizagem, estilos cognitivos, inteligência multifocal, etc., por forma a saberem lidar melhor com os diferentes desafios que cada aluno, pela natureza única da sua individualidade, levanta aos professores.
Um exemplo: os alunos introvertidos, por razões de ordem biológica, aprendem melhor de manhã do que de tarde; os extrovertidos estão mais desatentos de manhã.
Outro exemplo: os alunos sobredotados. Há 8 tipos diferentes de sobredotação e seria muito útil aos professores saberem como se comportam intelectualmente os diferentes tipos. Outro exemplo tem a ver com os comportamentos em sala de aula. Há 16 tipos diferentes de comportamentos por parte dos alunos dos quais alguns são dificílimos de gerir e controlar no actual sistema de ensino".

quarta-feira, abril 19, 2006

MANTEM O TEU CÉREBRO O.K.!!!


O cérebro humano é uma estrutura complexa. As suas funções são muito diversas e delas dependem a nossa capacidade para andar, ver, ouvir, perceber, pensar, criar, aprender, sonhar, tomar decisões, sentir e tantas outras actividades fundamentais para a nossa sobrevivência e evolução da inteligência.

A amplitude das capacidades do sistema cérebro/mente é tal que, por exemplo, só no que diz respeito à detecção de cheiros o cérebro utiliza mais de 5 milhões de células receptoras distribuídas pelo nariz, as quais conseguem distinguir mais de 10 mil odores diferentes!

É um sistema que trabalha 24 horas sobre 24 horas e pode manter-se activo 100 ou mais anos. Para termos uma ideia do que estamos a falar bastam alguns números:
- o cérebro é constituído por cerca de 100 mil milhões de diferentes tipos de neurónios e 10 vezes mais neuroglias (células de suporte e assessoria aos neurónios);
- cada neurónio pode receber de até 100 000 outros neurónios;
- pode processar 126 informações por segundo, ou seja, 7560 por minuto;
- até aos 70 anos de vida é capaz de processar um total de 185 mil milhões de dados;
- a capacidade de retenção de informações na memória ao longo da vida pode chegar ao equivalente a 20 milhões de livros de 500 páginas (seria preciso uma prateleira de mil quilómetros de comprimento para os acondicionar).

O cérebro é um órgão cuja vitalidade pode manter-se por muitas décadas e estar apto para aprender assuntos novos mesmo em idades chamadas "avançadas". Por exemplo, o famoso escritor russo Leão Tolstoi aprendeu a andar de bicicleta aos 67 anos e a rainha Vitória, de Inglaterra, começou a aprender a língua do Hindustão aos 68.

Incansável, trabalhador e resistente a múltiplas fontes de desgaste e stress é natural que o sistema cérebro/mente exija um grande suporte energético. São necessários nutrientes de vários tipos e certas actividades para o manter vigoroso e fiel.

Para poderes atingir a chamada Potência Cerebral/Mental Óptima recomendo:

1. Faz uma dieta com baixo teor de gordura (a gordura em excesso prejudica a circulação sanguínea no cérebro e produz radicais livres que desgastam prematuramente as células nervosas dificultando as funções cognitivas como a concentração, a memória e o raciocínio);

2. Alimenta-te de nutrientes vitais onde se destacam as vitaminas A (protege as membranas das células contra os radicais livres), B1,B6 e B12 (determinantes para a vitalidade dos neurónios), C (potente antioxidante que intervem na produção de inúmeros neurotransmissores, melhorando a função cognitiva) e a E (sendo um antioxidante protege as células do ataque dos radicais livres libertados pela alimentação), os minerais como o magnésio, o selénio e o zinco e os aminoácidos fenilalanina, glutamina, metionina, arginina e triptofano.

3. Aposta numa dieta com alguma restrição de calorias pois favorece a longevidade e a destreza mental, ou seja, não te empanturres de comida pois isso provoca obesidade.

4. Insiste numa dieta equilibrada onde estejam presentes todos os tipos de fibras, vegetais, frutas e proteínas não-animais juntamente com lacticínios desnatados e carne magra.

5. Toma suplementos vitamínicos aconselhados para crianças e jovens para compensar os desequilíbrios resultantes de refeições pobres e apressadas, sobretudo no Inverno e em épocas de maior exigência intelectual.

6. Respira bem através de uma postura correcta e de exercícios físicos tais como correr, caminhadas de pelo menos 30 minutos diários e desportos para manter a função cerebral activa, em especial os mecanismo implicados na memória.

7. Aprende a praticar neuróbica, ou seja, envolve-te em actividades regulares de activação dos sentidos, do pensamento, da criatividade e da inteligência para "muscular" o cérebro e revigorar a mente.

8. Ouve regularmente música neurológica, isto é, música instrumental ou coral cujo ritmo, andamento e harmonia atinja todos os níveis da consciência e do inconsciente a fim de repor o equilíbrio da energia psíquica (sugiro música New Age e outras como Chariots of Fire, de Vangelis, Symphony in C, de Bizet, Symphony Nº4, de Mahler, etc).

9. Aprende a entrar em "estado de fluxo", isto é, de profunda concentração e desfrute entregando-se a actividades prazerosas que lhe permitam perder a noção do tempo e do espaço.

10. Dorme o necessário para que o sistema cérebro/mente recupere da energia dispendida ao longo do dia e possa realizar determinadas funções de equilibração, nomeadamente a memória.

terça-feira, abril 18, 2006

COMO APRENDER A SABER MAIS

Aprender exige esforço, método e condições adequadas. Nem sempre os alunos levam em consideração alguns aspectos que estão relacionados com a forma como estudam e isso pode trazer resultados menos bons e desânimo devido ao insucesso.
Um leitor deste blogue enviou-me um texto adaptado de um original de Virgílio Vasconcelos Vilela que considero muito interessante e onde o autor sugere várias dicas para que a tarefa de estudar seja bem sucedida. O texto pode ser um pouco logo mas é muito útil e aconselho-te que o leias.

Tens então três etapas a vencer quando estás numa sessão de estudo. Essas três etapas são cruciais e deves segui-las com algum rigor. Vejamos.

Antes
1) Prepara o ambiente - quando decidires que é hora de estudar, antecipa o que vais precisar e deixa tudo à mão: livros, anotações, dicionário. Se usas computador, abre os arquivos que julgues necessários ou úteis. Se quiseres, pega também num copo d'água ou sumo. Outras opções são avisar a família do que vais fazer e desligar o telemóvel. O objectivo aqui é montar um ambiente que te permita o máximo possível de foco e concentração.

2) Activa a tua motivação - diz para ti mesmo para que serve o que vais fazer em seguida. Activa a lembrança dos motivos (teste, exame, TPC´s, etc). O que vais obter no final? E o que isso te trará? Imagina por um momento que já estás obtendo benefícios da tua dedicação.

3) Activa os teus conhecimentos - faz perguntas a ti mesmo sobre o assunto. O que já aprendi sobre isto? Que experiências e práticas já tive? Em que é que já usei este material ou parte dele? O quanto já progredi? O quanto sabia antes, e quanto sei agora? Não é preciso esforço, as perguntas já induzem a resposta, tu apenas ficas à espera do efeito.

4) Activa as tuas atitudes - de que maneira queres dedicar-te? Expressa as atitudes que gostarias de manter durante a sessão de estudo. Sugestões: "estar concentrado", "focar o melhor possível no objectivo", "desligar-me de tudo que não estiver relacionado", "com interesse", "com a maior objectividade".

Durante
5) Define a tua intenção imediata - declara verbal ou mentalmente o que pretendes para o próximo segmento de estudo. Nem sempre é possível ser muito específico, faz o melhor possível. Vais estudar um capítulo? Praticar uma sequência? Decide quanto tempo irás dedicar minimamente (depois podes tomar outra decisão). Para esta etapa, podes consultar os teus PPPs (próximos pequenos passos) definidos na sessão prévia (ver abaixo a secção Depois). Ajusta-os se for o caso, para incorporares novas e melhores idéias.

6) Descomprime - de vez em quando relaxa o corpo ou partes dele o quanto for possível. Como está a tua testa agora? E teus ombros? (estas zonas ficam muito tensas quando andamos com stress).

7) Faz pausas - após algum tempo de dedicação, faz uma pausa com a intenção de permitir o teu cérebro a absorção e a incorporação do novo material. Enquanto isso, descansas. Uma pesquisa mostrou que a aprendizagem é maior no início e no final de um período delimitado de dedicação (D. Gordon e J. Vos, em Revolucionando o Aprendizado, da editora Makron).

8) Interrupções - por mais que não queiramos, podem ocorrer interrupções. Se isso te ocorrer, após decidir verificar e antes de desviar-te, regista o ponto de retorno, o que farás quando voltares. Pode ser um capítulo, um exercício, um movimento. O registo pode ser tão simples quanto um lápis na página correcta, uma anotação ou uma imagem mental.

Depois
9) Verifica o progresso - avalia o rendimento da sessão. Se usaste alguma das estratégias sugeridas, vê se dá para saber se foi útil ou não, se vais praticar uma outra vez para avaliar melhor. Se concluires que não progrediste muito, é um momento de reavaliar as estratégias de aprendizagem, e talvez decidires fazer mudanças, talvez pesquisar um pouco sobre o que existe que talvez não conheças.

10) PPPs - define e regista os Próximos Pequenos Passos a serem dados no assunto. Estes têm uma importância especial: definir PPPs é garantir que tu podes desligar-te do assunto tranquilamente; se esqueceres, já tens as ligações para retomar do ponto onde paraste.

11) Reconhece- separa um minuto para fazeres o auto-reconhecimento: procura algo de bom no que fizeste, como teres-te dedicado, teres aprendido um pouco mais, estares mais próximo do objectivo, teres tido disciplina, o que quer que encontres de bom e positivo. Para cada um, procura o prazer e a satisfação que te proporciona. Usufrui, isto é, dedica-te a ficares sentindo cada prazer ou emoção prazerosa por alguns segundos.

12) Guarda as coisas - no final, volta ao ambiente anterior, guardando materiais, fechando programas e limpando eventuais resíduos da actividade. O objectivo aqui é mais do que organização: assim estás enviando uma mensagem ao teu cérebro de que a sessão está encerrada, que vais fazer outra coisa e queres concentrar-te devidamente nessa outra coisa, seja o que for.

13) Faz uma transição adequada - quando nos dedicamos com intensidade a algo, há a possibilidade de que representações mentais e até emoções fiquem activas, independentemente da nossa vontade, mesmo quando queremos fazer outra coisa. Assim, antes de fazer essa outra coisa, e se julgares necessário, executa algumas acções para mudares de "atmosfera". Em geral são coisas agradáveis: tomar um banho, lanchar, até beber algo bom pode funcionar. Também pode ser uma actividade física, como exercícios, alongamentos e caminhadas, ou deitares-te por alguns minutos e simplesmente relaxar. O importante é achares algo que funcione para mudar o "clima", no máximo alguns minutos.

segunda-feira, março 06, 2006

Dislexia pedagógica


Para psicólogos, psicólogos e educadores linguistas um dos gargalos para o diagnóstico e tratamento das dificuldades específicas de leitura, no ambiente escolar, reside na compreensão de conceitos básicos e operatórios como dislexia e mau leitor. Como saber a diferença que há entre o conceito de dislexia e dizer que uma criança é mau leitor?
A dislexia é uma síndrome de origem neurológica. Pode ser genética (desenvolvida) ou adquirida (depois de acidente vascular cerebral, a AVC). O disléxico é potencialmente um mau leitor, embora consiga ler. O disléxico lê, mas lê mal, sua leitura é lenta e sofrível. Só um especialista, a rigor, tem a competência técnica, em equipe multidisciplinar, juntamente com psicólogos e pediatras, afirmar se uma criança é ou não disléxica.
A dislexia é, pois, uma síndrome para atendimento médico, embora não se trate de uma doença. Para os educadores, o que inclui pedagogos, psicopedagogos e profissionais de ensino, dislexia é uma dificuldade de aprendizagem de leitura ou mais precisamente o que entendemos por dislexia é uma dificuldade de aprendizagem de leitura (DAL). Venho denominado de dislectogenia essa dislexia dita pedagógica.
Assim, poderíamos dizer que todo disléxico é realmente um mau leitor, mas nem todo mau leitor é disléxico. Uma má leitura não deve ser uma pista final para o reconhecimento do mau leitor, mas é uma pista preciosa para o diagnóstico do disléxico.
Nos meus estudos, tenho levantado a hipótese de um déficit linguístico para a dislexia, o que me levaria, ainda , por sua vez, a um tipo de dislexia ou dislectogenia, a pedagógica, responsável, no meu entender, pela maioria dos casos das chamadas dislexias, no meio escolar, resultado da dificuldade que o aluno tem, durante a leitura, de fazer a correspondência grafema-fonema, isto é, de entender que ler é um mistério, porque não consegue a correspondência adequada do grafema ou letra ao fonema ou som da fala.
É nesse caso, o pedagógico, que está, pois, o verdadeiro mau leitor, que deixa de fazer uma boa leitura porque aprendeu a ler mal, porque a metodologia de ensino de leitura (global ou sintético) foi mal aplicado.
Um exemplo bem típico de dislexia pedagógica ou linguística pode ser percebido partir desse relato de dificuldades do filho feito por sua mãe.
Relata-me a mãe o seguinte: tem um filho de 5 anos. Seu pai é músico . Conta-me que seu filho aprende com muita facilidade músicas até a parte instrumental, mas tem muita dificuldade em apreender a escrever seu próprio. Quando tenta escrever o nome, segundo a mãe, escreve o U virado pra baixo o S ao contrário e sua fala já apresenta também dificuldades de ser compreendida pela própria família.
Ainda no relato, diz a mãe que a criança, antes, falava correctamente e, agora, apresenta dificuldades de fala e também costuma usar as duas mãos para fazer as actividades escolares. Às vezes utiliza a mão esquerda; outras, a direita, e tem muita dificuldade de apreender coisas simples, e sente muita “preguiça” a maioria das vezes para cumprir os deveres escolares. Pelo que lemos do relato, observamos que os sintomas de dificuldades de aprendizagem de lectoescrita (leitura e escrita) são de diversas ordens: distúrbios de rotação grafémica (U virada para baixo e S ao contrário) e de fala (incompreensiva).
A dislexia pedagógica (ou linguística) acumula uma série de déficits que, claramente, afectam outras habilidades como fala, escrita e escuta. Aos 5 anos de idade, portanto, em processo de alfabetização, os métodos da escola parecem não atender às grandes expectativas dos pais quanto à alfabetização, o acesso ao código escrito, e ao letramento, isto é, aos usos sociais da escrita no quotidiano escolar.
Minha desconfiança, por exemplo, é que o método global tem favorecido o aumento de maus leitores.

Texto de Vicente Martins, professor da Universidade Estadual Vale do Acaraú(UVA), de Sobral, Estado do Ceará, Brasil.

quinta-feira, março 02, 2006

Auto-hipnose na aprendizagem



Em termos de aprendizagem, podemos dizer que diferença fundamental entre o ser humano e os outros animais está na sua capacidade de "aprender continuadamente". É isso mesmo: o ser humano nasce para aprender.

Mesmo sem que percebamos, aprendemos continuadamente, do nascimento até o último dia de vida. Você não precisa estar na escola ou ler um livro para aprender; você aprende a cada informação que seus sentidos percebem, a cada imagem que seus olhos percebem, a cada som que seus ouvidos percebem, "mesmo que não queira aprender". Esta "capacidade de aprender" é inata e comum a todas as pessoas, sem distinção de raça, cor de pele, sexo ou classe social. O "milagre da inteligência" ocorre a cada instante, a cada piscar de olhos.

Nosso cérebro é anatômica e funcionalmente preparado para trabalhar sem parar até mesmo quando dormimos. Saiba que todas as informações que percebemos durante o dia são processadas nas primeiras horas do sono (quando muita gente pensa que o cérebro pára pra descansar) e aquelas informações que nos são mais interessantes, mais expressivas e mais necessárias são devidamente armazenadas na nossa memória. Por isso é que aprendemos, justamente, quando estamos dormindo.

Nosso cérebro também não tem limites para aprendizagem; cada um de nós, seja branco, negro, homem, mulher, alto, baixo, gordo, magro, possui uma "capacidade de aprender" ILIMITADA. Cada um de nós PODE APRENDER TUDO O QUE QUISER e QUANDO QUISER. Basta querer.

A maioria das dificuldades de aprendizagem está relacionada exatamente com o desconhecimento desta verdade (o stress do estudante é, quase sempre, decorrência deste desconhecimento). Muitos estudantes "pensam" que não podem e que não vão aprender, e este pensamento funciona como uma "ordem para a inteligência bloquear o raciocínio e a criatividade". Ora, isto também é uma informação, ou não é?

E, portanto, ela será admitida pelo cérebro como informação. Dizer ao cérebro que algo "é difícil" - e "aceitar" isso - também é uma aprendizagem; negativa, mas é. Se, em vez desta ordem, a pessoa afirmar (informar ao cérebro) que pode aprender, que vai aprender, com certeza aprenderá. O "fácil" e o "difícil" são conceitos relativos ao "tempo". Para uma criança de dois anos, contar de 1 a 100 é dificílimo, no entanto, aos sete anos, esta tarefa será extremamente fácil. Ocorre, entretanto, que o "tempo de duração de uma dificuldade" pode ser reduzido bastante quando a pessoa se dispõe a aprender.

Lozanov provou que isto é possível através da sua Sugestopedia. Assim sendo - e é importante gravar isto - saiba que você pode influenciar sua inteligência e criatividade com a sua vontade. Basta "informar" à inteligência sobre esta sua disposição em aprender e você de facto aprenderá.

Como melhorar a inteligência (a memória) e a criatividade?

Faça formulações positivas a respeito da sua capacidade intelectual. "Diga" permanentemente ao seu cérebro que você é muito inteligente e muito criativo (porque na realidade VOCÊ É ASSIM). Creia que seu cérebro não fará julgamentos subjectivos; ele "aceitará" estas informações como verdadeiras e trabalhará como tal. O software do pensamento criativo, do pensamento genial, está em TODOS OS CÉREBROS. Você só precisa activá-lo.

Os cérebros de Einstein, de Pasteur, de Edison, de Leonardo da Vinci, não eram diferentes do seu! A diferença fica apenas por conta da ousadia, da coragem e da convicção que eles tinham de que "poderiam sempre fazer melhor". Pois é a coragem, a ousadia e a convição que "activam" o intelecto. Em termos de inteligência, o cérebro obedece sempre a este mesmo princípio: "se você pensa que pode, ou pensa que não pode, em ambos os casos terá razão."

Portanto, é você quem decide. Ao se "dispor a ser mais inteligente e mais criativo" você estará "ordenando" que seu cérebro utilize o software da criatividade para gerar soluções. E assim acontecerá. Van Gogh não nasceu um pintor genial; ele "formou-se" genial. Victor Hugo também não nasceu escrevendo como um gênio; ele "aprendeu" a escrever como um gênio.

Faça um pequeno teste: diga a uma criança que ela é muito inteligente e observe como ela reagirá, "criando" coisas para "provar" essa inteligência. Muitas crianças, imediatamente, pegam sua caixa de lápis de cor nessa hora e começam a desenhar. Este é o "disparo" do pensamento criativo. E você pode provocar este "disparo" em você mesmo. O segredo é você repetir (assim como fazia quando aprendeu tabuada, lembra?), insistentemente, que você é muito inteligente, que é capaz de aprender tudo, que é muito criativo e que sempre tem idéias brilhantes. Repita isso - INSISTENTEMENTE - até que tais afirmações tomem o seu subconsciente e se traduzam em VERDADES. Lembre-se: "até mesmo uma mentira, se repetida continuadamente, torna-se verdade".

quarta-feira, fevereiro 22, 2006

Múltiplas inteligências

De acordo com a pedagogia moderna, as pessoas são dotadas com múltiplas inteligências e não apenas uma única. Cada pessoa desenvolve mais de um tipo de inteligência conforme sua capacidade e formação. Algumas inteligências já fazem parte da natureza humana, outras são adquiridas através dos meios em que a gente vive, por exemplo a escola e a família. O professor Howard Gardner, da Universidade de Harvard (EUA), resumiu em 8 as principais inteligências:

1 - Inteligência Corporal-cinestésica

  • Consciência e Sensibilidade Corporal
  • Habilidade nas actividades físicas (desportos, etc.)
  • Alto grau de motricidade e coordenação

2 - Inteligência Verbal (ou Linguística)

  • Habilidades de oratória
  • Uma boa dicção e pronúncia
  • Capacidade para debate e discussão

3 - Inteligência Musical (ou Auditiva)

  • Sensibilidade musical
  • Audição aguçada
  • Dom para cantar e tocar música

4 - Inteligência Racional (ou Lógico-matemática)

  • Capacidade para raciocinar
  • Habilidades para deduzir e decifrar
  • Pensamento lógico e sequencial

5 - Inteligência Espacial (ou Visuo-espacial)

  • Habilidade de criar imagens e visualizar
  • Capacidade de planear e prever
  • Visão em geral (restricta, ampla e periférica)

6 - Inteligência Intrapessoal

  • Alto grau de conscientização
  • Elevada capacidade de auto-conhecimento
  • Muito bom auto-controle e auto-gestão

7 - Inteligência Interpessoal (ou Social, ou Relacional)

  • Alto grau de sensibilidade e discernimento
  • Capacidade de empatia e sinergia
  • Habilidades interactivas em grupo (liderar, jogar, etc)

8- Inteligência Naturalista

  • Alta sensibilidade para as questões ambientais
  • Elevado interesse pelas ciências da natureza
  • Particular dom para lidar com animais e plantas.

Se desejar conhecer como estão distribuídas as suas inteligências ou as de seu filho contacte com o Instituto da Inteligência.


terça-feira, fevereiro 14, 2006

Técnicas revolucionárias de aprendizagem


Diante da crescente quantidade de informação produzida no mundo, torna-se cada vez mais difícil para uma pessoa manter-se actualizada, especialmente se forem utilizados os métodos convencionais de ensino e aprendizagem. Com o advento da rede mundial de computadores - a internet - o problema começa a deixar de ser a obtenção da informação, passando a ser: como transformar tanta informação em conhecimento? Como aprender tudo o que se precisa saber para poder agir com eficácia e eficiência nesta sociedade global? Como desenvolver uma visão profunda e holística do Universo, evitando mergulhar na mera especialização crescente, na qual se sabe cada vez mais sobre cada vez menos?

A saída para o ser humano é a utilização de nossos recursos não conscientes, uma vez que, conforme uma das pressuposições da PNL (programação neuro-linguística), "já dispomos de todos os recursos internos de que necessitamos", faltando apenas sermos capaz de utilizá-los nos momentos e contextos apropriados.

O século XXI será marcado pela utilização maciça de recursos não conscientes na aprendizagem, pois a mente consciente não mais será capaz de lidar, sozinha, com a crescente complexidade da rede de informações disponível para o ser humano.

E essa mudança teve origem há aproximadamente 40 anos atrás...

Bulgária, Década de 60: a Aprendizagem Acelerada
A partir de estudos iniciados na década de 60, um médico búlgaro - Dr. Georgi Lozanov - criou um método de instrução altamente eficiente, baseado na aplicação de elementos da Teoria da Sugestão à aprendizagem em sala de aula. A sua disciplina, denominada Sugestologia, tratava do "estudo científico da sugestão", com vistas ao aproveitamento do potencial do cérebro, inicialmente para fins militares. A sua aplicação à aprendizagem foi denominada Sugestopedia.

Em 1966, o governo búlgaro autorizou a abertura de um Centro de Sugestopedia em Sofia, com o objectivo de aprofundar as aplicações daquela disciplina, especialmente no ensino de idiomas estrangeiros. Lozanov utilizava técnicas de relaxamento oriundas da yoga, além de aplicações inusitadas da música clássica.

Lozanov acreditava na existência de reservas presentes nos seres humanos, as quais podem ser activadas através de actividade mental inconsciente. Sabemos que tal tipo de actividade mental pode ser provocada a partir do poder da sugestão.

A análise do método utilizado por Lozanov permitiu determinar os principais pontos do mesmo:

- apresentação do material didático à mente consciente dos alunos, de modo a despertar a curiosidade e manter o interesse;
- apresentação do material didático à mente não consciente dos alunos, utilizando música e respiração rítmica para induzir um estado de relaxamento favorável à absorção dos conhecimentos;
- activação do material absorvido, através de actividades que objectivam trazê-lo à consciência.

Pode-se dizer, então, que um método utiliza os princípios da Aprendizagem Acelerada se ele inclui essa sequência de procedimentos acima.

Inglaterra, Década de 70: Os Mind Maps®
Na década de 70, o inglês Tony Buzan criou uma ferramenta simples, porém revolucionária: o Mind Map. Alguns livros traduzem essa expressão como "Mapa Mental", o que é a nosso ver uma tradução literal inadequada.

O Mind Map é um tipo de desenho utilizado para organizar e memorizar um assunto ou conhecimento.

O que um estudante faz, quando quer aprender uma disciplina? Normalmente lê a matéria e, em seguida, elabora um resumo. Ocorre que, conforme estudos realizados sobre o cérebro, os resumos verbais sensibilizam primordialmente o hemisfério cerebral esquerdo, enquanto as figuras e cores de um Mind Map vão sensibilizar também o lado direito do cérebro. Dessa forma, é interessante substituir os tradicionais resumos escritos pelos desenhos criados por Buzan.

Estados Unidos, Década de 80: A Leitura Fotográfica
Em 1986 o americano Paul Sheele, de Minneapolis, iniciou o ensino de uma técnica por ele denominada PhotoReadingä, ou FotoLeitura. Neste método o praticante examina o material a ser estudado, com o objectivo de adquirir um conhecimento inicial do assunto e, principalmente, de despertar sua própria curiosidade e desenvolver a motivação necessária ao passo seguinte. Em seguida, o praticante simplesmente olha para as páginas do livro, depois de entrar em um estado de relaxamento e utilizando uma forma especial de dirigir o olhar para as páginas. Esse procedimento é executado à velocidade aproximada de uma página por segundo. Finalmente, depois de dormir uma noite e deixar que o material seja integrado, o praticante passa à terceira fase, na qual o material absorvido é ativado, ou seja, trazido gradativamente à consciência do "fotoleitor".

É interessante notar que essa "leitura fotográfica" pode ser considerada um método derivado da aprendizagem acelerada, uma vez que utiliza os três passos básicos da sequência de Lozanov: apresentação do material à mente consciente, exposição do material à mente inconsciente e ativação - recuperação do material para a mente consciente.

Brasil, Década de 90: A Leitura Acelerada
A partir das idéias de Buzan, desenvolvemos os conceitos de Memoforma® e Memograma®.

Uma Memoforma é qualquer recurso destinado a facilitar a memorização. Quando você lê um texto e produz um resumo, com o objectivo de memorizá-lo, esse resumo é uma Memoforma. Não é necessário que uma Memoforma seja um objecto palpável: se você visualizar um procedimento, através de uma série de imagens, com o objectivo de memorizar os passos para a sua execução, esse "filme" mental também será uma Memoforma. E assim, são Memoformas: textos, desenhos, diagramas, objectos, colagens, pinturas, lugares, posturas corporais, etc. Na verdade, qualquer coisa que seja deliberadamente associada a um conteúdo a ser memorizado poderá ser considerada uma Memoforma.

Um Memograma é uma memoforma expressa sob a forma de um diagrama.

Então, um Memograma é inicialmente muito parecido com um Mind Map. Conforme você se desenvolve na construção e utilização desses desenhos, muitas coisas vão acontecendo. Num certo momento, esses desenhos não mais ficarão no papel. Ficarão dentro do seu cérebro. Você construirá uma biblioteca na sua mente, e arquivará os desenhos em estantes, corredores e salões virtuais. E, quando precisar do conhecimento contido em um deles, você irá buscar o desenho e o consultará. E isso acontecerá gradativamente, conforme você praticar.

Você pode usar técnicas de imaginação e auto-hipnose para acelerar esse processo. Pode criar figuras metafóricas que o ajudem a sensibilizar sua mente inconsciente. Eu gosto de trabalhar com o Modelo de Partes. Acredito que tenho uma parte inconsciente que me ajuda a aprender, e falo com ela. Outras pessoas não acham que possuem partes. Preferem falar com guias interiores: um velho sábio, por exemplo, que é capaz de orientá-las na aprendizagem. Outras, ainda, preferem simplesmente entrar em transe hipnótico e pedir à sua mente inconsciente que cuide de tudo para elas. Cada um deve usar a técnica que funcione melhor para si.

E, se você combinar os Memogramas, as idéias da Leitura Fotográfica e as técnicas de acesso à mente inconsciente, você terá a Leitura Acelerada. Nós ensinamos essas técnicas desde 1995, em nosso "workshop" Aprendizagem Acelerada. Mais de quinhentas pessoas já passaram pela experiência de serem introduzidas a esses conceitos revolucionários.

Século 21: o Inconsciente na Aprendizagem
No século que adentramos, a sobrevivência pessoal e profissional de cada um de nós estará vinculada à capacidade de utilizar recursos inconscientes actualmente guardados sob a forma de potenciais não desenvolvidos.

Texto original da autoria de Maurício Aguiar, Engenheiro, Analista de Sistemas e Master Practitioner em PNL. Coordenador do Grupo de Interesse em PNL da SUCESU-RJ. Especialista em Aprendizagem. Co-autor do livro "Aprendizagem Acelerada", Editora Gente.
As técnicas aqui descritas são aplicadas no MentalGinasium e no Ginásio de Aprendizagem do Instituto da Inteligência.

quinta-feira, fevereiro 09, 2006

Aprender a pensar!



Semanalmente, quatro turmas do Centro Social Padres Redentoristas e Jardim Escola João de Deus, em Castelo Branco, e ainda do Patronato de Nossa Senhora da Conceição, na Covilhã – conhecido como Colégio das Freiras – sentam-se nas salas de aula e, mesmo sem nunca terem ouvido falar de Platão ou Sócrates, discutem temas filosóficos, embora sem empregarem termos como "lógica", "ética" ou "estética".

Cerca de 80 crianças assistiram a aulas experimentais, cujas gravações em vídeo vão ser enviadas ao Ministério da Educação para propor o alargamento do ensino da Filosofia. As professoras envolvidas no projecto querem desenvolver o sentido crítico dos mais novos.

A professora pergunta o porquê de estarem sentados em círculo, no chão, virados uns para os outros. “É para falarmos olhos nos olhos”, respondem em coro algumas das 25 crianças de cinco anos, que participam na experiência “Filosofia para Crianças”, desenvolvida pelo núcleo da Beira Interior da Associação Portuguesa de Aconselhamento Ético Filosófico (APAEF). É um núcleo constituído pelas professoras de Filosofia Ana Monteiro, Carla Silva e Ana Domingues.

Foi assim o início da primeira aula, ministrada a 6 de Fevereiro, tendo como tema a Identidade. Durante o mês de Fevereiro, as 80 crianças envolvidas no projecto exploraram ainda o Bem e o Mal e a Responsabilidade. Nas próximas semanas, à medida dos mais pequenos, serão explorados valores como a Liberdade, Honestidade, Humildade e o Amor. “Porque temos de nos apresentar?”, pergunta a professora Ana Monteiro, com a ajuda do fantoche Tomás. Depois questiona o que é “apresentar”. E de pergunta em pergunta pretende-se que crianças de tenra idade se tornem “amigas do saber”.

Se fosses uma cor qual gostarias de ser?”, começa a professora com a ajuda do Tomás – um boneco que anima as sessões para prender a atenção das crianças. “Verde”, ouve-se na sala. “Verde porque gostava de ser uma alface. A salada faz bem”, responde Tomás. Com cinco anos, o boneco vive numa casa branca com muitas árvores em volta. Do outro lado da estrada, numa casa maior, vive a avó de cabelos brancos. Na sua casa vive com o pai, a mãe e um irmão, “pequenino e bonito, mas só dorme e chora. Não brinca nada comigo”, lamenta, anunciando o seu maior prazer: devorar chupa-chupas. “Gostava que o meu quarto estivesse cheio deles, mas a minha mãe esconde os chupa-chupas num armário muito alto, onde só ela chega”, conta Tomás, contrariado. “Quando for grande quero ser médico de cães” para tratar de todos os “jolies”, iguais ao que tem no seu jardim. É a partir da apresentação do Tomás que toda a aula se desenvolve. Feitas as apresentações, um a um, e suscitada a discussão, as crianças escrevem a primeira letra do seu nome numa cartolina, sendo depois convidadas a imitar outro colega à escolha e, mais tarde, no fim da aula, a fazerem um desenho de si próprios.

Gravadas em vídeo, as aulas servirão de suporte à “Conferência Internacional de Filosofia para Crianças”, a realizar na Universidade da Beira Interior, no dia 8 de Maio. Para assistir a esta iniciativa foi convidada a ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues. Do encontro, que reunirá especialistas nacionais e internacionais, “resultará um projecto a apresentar ao Ministério da Educação, sob a forma de proposta curricular que atravesse todos os graus de ensino”, afirma Ana Monteiro, coordenadora da conferência.

Ao invés do que acontece com as disciplinas de Inglês, Educação Física e Informática, disciplinas opcionais nas escolas do ensino básico, a APAEF (Associação Portuguesa para o Aconselhamento Ético e Filosófico) vai propor ao Ministério da Educação que a Filosofia se torne numa “disciplina curricular, mas sem avaliação quantitativa, a partir do próximo ano lectivo”.

A necessidade da Filosofia para crianças “surge pelo peso excessivo que o sistema educativo dá aos conhecimentos teóricos face às atitudes e valores. Exige resultados aos alunos e preocupa-se pouco em moldar o seu carácter e em torná-los futuros cidadãos, com consciência crítica”. “A criança pode não possuir a racionalidade de um adulto, mas tem qualidades para o exercício da filosofia”, tais como “a curiosidade, o espanto e a admiração”.

A Filosofia impõe-se no sentido de fortalecer, desenvolver e articular potencialidades que já existem na crianças. Em Portugal, a experiência é recente, mas, segundo a APAEF, “é uma realidade em franco desenvolvimento” há 18 anos. O pioneiro da disciplina é o filósofo norte-americano Matthew Lipman, que se dedica ao assunto desde o final da década de 60. Elaborou o método e o material didáctico, assim como e uma proposta educacional. Hoje o método é adoptado em mais de 30 países. Lipman partiu do princípio de que a participação das crianças em investigações filosóficas, realizadas em grupo, desenvolve-lhes o potencial cognitivo. A partir da leitura de textos, os alunos são incentivados pelos professores a levantar temas para a discussão. As questões suscitadas estão relacionadas com situações e problemas do quotidiano, para que as crianças se interessem por elas, ou, nas palavras de Lipman, para que “se apropriem delas”. Os professores promovem e facilitam as discussões entre os alunos, para que temas complexos e esquecidos entre os adultos ganhem simplicidade nos debates entre as crianças.

Fonte: Jornal XXI

Nota - Recordamos que o Instituto da Inteligência também realiza cursos de Filosofia para Crianças, o mais recente dos quais decorreu em Lisboa, nos finais de 2005. Estão previstos outros no próximo Verão.

terça-feira, dezembro 27, 2005

MEMÓRIA E APRENDIZAGEM


Resumo da entrevista que concedi à jornalista Cláudia Faria, da revista SÁBADO, a 26 de Dezembro e cujo conteúdo pode interessar a alguns e professores.

Cláudia Faria - A memória é um tema muito estudado pelos investigadores portugueses?
Nelson S. Lima - A memória, porque é uma das mais importantes e indispensáveis capacidades para a vida, é um tema que tem sido abundadantemente estudado pelos neurocientistas de todo o mundo. Em Portugal, a neurociência está a dar os seus primeiros passos e muitos investigadores nacionais têm-se interessado não apenas pelo estudo da memória enquanto função central do cérebro mas também pela relação desta com as emoções, a personalidade, as doenças neurológicas, o envelhecimento, etc.

CF- Qual é o aspecto da memória que mais usamos no dia-a-dia?
NL- Usamos vários tipos de memória segundo a duração do tempo de fixação (imediata, de curto prazo e longo prazo), diferentes categorias segundo a modalidade cognitiva (memória episódica, memória semântica, etc), o tipo de função (verbal, espacial, musical, etc), os estímulos envolvidos (auditiva, visual, táctil, etc) e o nível de cognição utilizado (memória implícita ou não-consciente e memória explícita ou consciente). A memória mais central é a chamada "memória de trabalho" ou "operacional" que usamos permanentemente a fim de sermos capazes de ligar os acontecimentos momento a momento e executarmos tarefas com uma percepção sólida e coerente de continuidade.

CF - É possível criar memórias de coisas que nunca aconteceram?
NL - Memorizamos ideias, intenções, projectos, imagens e interpretações de acontecimentos que nunca presenciámos ou que, em si mesmo, nunca se concretizaram. Na verdade, memorizamos pensamentos que são acontecimentos mentais.

CF - Como se consegue discernir entre uma verdadeira recordação e uma falsa memória?
NL - A verdadeira recordação de tipo fotográfico ou audiográfico não existe a 100%. O cérebro, pela forma como evoca as memórias previamente registadas, altera as recordações pelo que um mesmo conteúdo pode assumir diferentes aspectos. É o caso, típico, da memória de um acidente presenciado por alguém que estava no local. Essa pessoa vê, interpreta e fixa todo um conjunto de dados que podem ser ampliados, reforçados ou reinterpretados devido às opiniões de outras testemunhas com quem troque impressões. A memória também faz interacção com as emoções pelo que duas pessoas ouvidas em separado podem descrever um mesmo acontecimento usando diferentes perspectivas e abordando-o de ângulos igualmente não coincidentes. Por isso é que os juizes ouvem as declarações das testemunhas em busca da verdade que resulte da filtragem de todos elementos: factos, similariedades de relatos, contradições, ideias, etc.

CF - Porque é que umas pessoas têm melhor memória do que outras?
NL - Isso depende de muitos factores (biológicos, psicológicos, ambientais, etc) que entram jogo na dinâmica da memória. Há pessoas que têm melhor memória auditiva, outras visual, e por aí adiante. Mas, em geral, a memória das pessoas funciona plenamente e sem perturbações. Mas os factores que mais prejudicam a saúde da memória são o stress, a fadiga, a alimentação incorrecta e o envelhe-cimento.

CF - Quais são as melhores estratégias para recordar? Pode dará alguns exemplos práticos do dia a dia? O que é que diariamente as pessoas podem fazer para melhorar a memória?
NL - As melhores estratégias para recordar começam com uma que é prioritária: a atenção aplicada nas actividades ou nos dados que queremos mais tarde recordar. A pressa e a desatenção são inimigas da memória pelo que devemos adoptar algumas regras básicas como buscar várias fontes de informação (por exemplo, para estudar um tema é útil fazermos uma pesquisa em torno do mesmo e não apenas uma apressada leitura), utilizar vários sentidos e dispositivos gráficos (ver, ouvir, imaginar, desenhar, fotografar, etc), etc. A memória é multifocal e, por isso, o registo pode ser amplificado se soubermos aceder às várias modalidades de aprendizagem. Actualmente há actividades que podem ajudar a reforçar o desempenho cognitivo, nomeadamente o da memória. Por exemplo, os exercícios de neuróbica e de neurofitness podem ajudar na qualidade da memória (ver www.neurofitness.blogspot.com).

CF - O ambiente, os hábitos e a educação influenciam a memória?
NL - Influenciam muito. Por exemplo, os hábitos de trabalho e o sentido de organização são determinantes. O trabalho executado com um plano prévio de tarefas (por exemplo, desdobrá-lo por etapas) ajuda o cérebro a facilitar o registo das informações que lhe são dadas. Também o ser-se organizado na disposição dos elementos que queremos aprender (dar-lhes uma classificação de prioridade, objectivos, etc) reforçam a capacidade de memorização.

CF - Qual é a importância da alimentação e do sono no que concerne à memória?
NL - São factores muito importantes. A alimentação saudável é regrada e equilibrada e, por isso, fornece nutrientes vitais para a função cerebral. Se assim não for, se nos alimentarmos de forma "desonesta" e adulterada expomo-nos a doenças, à rigidez cerebral e mental e ao declínio cognitivo (o excesso de radicais livres simplesmente fere de morte as células nervosas e diminuem as capacidades mentais do pensamento e do raciocínio). Também a falta de sono prejudica a memória: não apenas porque reduz a capacidade atenção como também complica todo o esforço metabólico ligado à fixação de memórias que a nível celular o cérebro necessita realizar durante as horas em que dormimos).

CF - Qual é a melhor hora do dia para memorizar coisas?
NL - Depende das pessoas. Geralmente, os introvertidos parecem fixar melhor durante a manhã enquanto que as pessoas extrovertidas memorizam melhor à tarde e ao fim do dia. De facto, a natureza da personalidade parece ter uma palavra a dizer visto que ela tem como alicerces determinadas estruturas biológicas que também estão implicadas na memória e noutras actividades cognitivas.

CF - Deve-se estudar na véspera de um exame?
NL - Talvez as pessoas precisem de estudar nas vésperas de um exame por diferentes razões: umas porque querem reforçar e consolidar o que já sabem, outras porque se sentem mais seguras, enfim, outras porque acreditam que assim é melhor e ficam mais tranquilas. Mas o ideal é mesmo fazer-se uma aprendizagem gradual (diz-se significativa) que dê tempo à consolidação dos conhecimentos. Estudar de véspera pode gerar ansiedade suficiente para bloquear a memória. Isso acontece com 20 a 30% dos alunos das nossas escolas.

CF - Tudo o que vivemos fica gravado em algum lugar da nossa memória?
NL - Parece que sim. Estima-se que o cérebro de uma pessoa culta de 80 anos pode ter armazenada informação suficiente para que encher 30 milhões de livros de 500 páginas e que se distribui por diferentes categorias de memória: autobiográfica, semântica e procedimental. O que acontece é que a grande maioria da informação está indisponível quer no subconsciente quer no inconsciente das pessoas a fim de libertar a mente daquilo que seria um pesadelo se estivessem impedidas de esquecer.

CF - O que é um dejá vu?
NL - É um sentimento de revivescência de algo passado e não de uma recordação. Resulta de coincidências de natureza subjectiva presentes num determinado momento e que captamos de forma emocional.

CF - O que é a amnésia?
NL - Significa falha ou perda de memória. Em certos casos patológicos pode assumir formas e graus de gravidade diversas. Existem também as alterações qualitativas da memória (paramnésias) e também os chamados "transtornos do reconhecimento". São diferentes patologias e cuja repercussão na qualidade de vida varia de caso para caso.

CF - Porque é que retemos umas memórias e não outras?
NL - Geralmente retemos e lembramo-nos depois melhor aquelas memórias que nos marcam emocionalmente ou que foram significativamente importantes para nós.

CF - Sem a memória não poderíamos aprender e por consequência evoluir enquanto espécie. Qual é a verdadeira importância que a memória tem para o ser humano?
NL - A nível individual ela permite-nos construir o nosso eu a partir da elaboração mental da nossa própria história de vida dando-nos um sentido de existência e de coerência entre as diferentes vivências quotidianas. A nível colectivo ajuda-nos a desenvolver o sentido social e de pertença que une todos os membros da comunidade e da propria espécie.

CF - Conseguimos compreender de facto como funciona o cérebro ao nível da memória?
NL - Embora nem todos os fenómenos estejam totalmente descodificados o funcionamento da memória está bem com-preendido hoje em dia.

CF - Quais foram as últimas descobertas cientificas sobre a memória?
NL - Houve várias. Destaco principalmente as que se têm debruçado sobre a relação entre as emoções e a memória, as que estudam os processos degenerativos que podem afectar a memória devido ao abuso de drogas, álcool e tabaco, stress, ao envelhecimento, a lesões no cérebro e a doenças severas (caso da depressão, Alzheimer, etc.).

quarta-feira, dezembro 14, 2005

POR UM NOVO SISTEMA DE ENSINO


Segundo uma notícia veiculada pelo site da RTP, o Instituto da Inteligência propôs (hoje) a substituição do actual modelo de ensino nas escolas, "oriundo da sociedade industrial", por um que se adapte à sociedade moderna, "menos dependente dos manuais e mais aberto à interacção".
Em comunicado, aquela instituição privada, com sede no Porto, considera que essa alteração "deverá provocar sobretudo uma mudança significativa nos conteúdos de aprendizagem do primeiro ciclo", para desenvolver nas crianças competências como a promoção do espírito de curiosidade, a criatividade exploratória e a capacidade de pensar.
Baseado em estudos sobre as relações memória-inteligência, o instituto preconiza a "formação de professores em métodos de ensino compatíveis com o cérebro, que lhes permita ajustar o discurso e as formas de comunicação às diferenças individuais presentes em cada sala de aula".
Isso permitirá, conclui, "promover a capacidade de pensar de cada aluno e a exploração do espírito de curiosidade, ao invés de apelar à sua capacidade de memorização e à escravização do pensamento, moldando-o às verdades absolutas".
"A aprendizagem por memorização pode ser rápida e superficial, pode ser suficiente para a realização de testes e exames dos alunos que não sejam bloqueados pelo stress ou por factores de ansiedade. Extingue-se, porém, muito rapidamente e restará um vazio que não tem, objectivamente, qualquer utilidade para aprendizagens futuras", afirma o Instituto da Inteligência.
Fonte: RTP referindo noticia da Agência LUSA, dia 14-12-2005.

segunda-feira, dezembro 05, 2005

PARECEM HIPERACTIVOS

O seu comportamento confunde-nos. Revelam-se agitadas, intranquilas, enfim, hiperactivas. Mas, serão mesmo hiperactivas? Estou a falar de crianças que vivem situações que lhes provocam muioto stress, nervosismo, desassossego, desatenção nas aulas, comportamentos rebeldes. Hoje em dia, a tentação de lhes chamar hiperactivas é muito grande.

A maioria das vezes esta situação é pontual e afecta todas as crianças com maior ou menor gravidade e frequência. Outras vezes, o problema instala-se e tende a manter-se por longos meses, deixando os pais e os professores preocupados. A criança, que antes se revelara estável, é agora uma pessoa intranquila.

Entre outros talvez possam coexistir alguns destes sinais: dificuldade em adormecer, agitação nocturna, alterações no apetite, problemas de concentração, enurese nocturna (eventualmente ecoprese), medos, etc, etc.

Num estudo que realizei nos últimos anos com crianças que manifestavam aqueles (e outros sinais de intranquilidade e agitação) percebi que em todos os casos havia uma relação directa com o ambiente familiar ou tinham ocorrido mudanças e acontecimentos novos nas suas vidas (em muitos casos coexistiam vários problemas). Seleccionei os mais frequentes:

- pais com profissões altamente exigentes e stressantes;
- pais com pouca disponibilidade para dar atenção e dialogar com os filhos;
- pais com mau relacionamento entre si e problemas conjugais diversos;
- pais separados/divorciados;
- perturbação de natureza psicológica e comportamental num dos pais (transtorno de humor,
problema de personalidade, alcoolismo, etc);
- dificuldades de adaptação na escola;
- excesso de TPC (trabalhos escolares);
- excesso de tempo dedicado a brinquedos electrónicos, especialmente jogos;
- excesso de tempo em casa sem possibilidades de brincar no exterior;
- excesso de tempo na escola e em actividades escolares;
- poucos amigos fora do espaço da escola;
- problemas de solidão e sofrimento psicológico não resolvidos;
- medos e perturbações de ansiedade (baixa auto-estima, insegurança, etc)
- dificuldade em lidar com eventuais problemas de aprendizagem;
- aprendizagem deficiente de regras de comportamento;
- excesso de paternalismo e superprotecção;
- regimes alimentares incorrectos.

Convido-o a ler sobre cada uma destas causas num outro blog onde desenvolvo o tema num artigo com o título "A CRIANÇA INTRANQUILA". Clique aqui: www.hiperactividade.blog.com .

Nelson Lima, neuropsicólogo.

sábado, novembro 26, 2005

ALERTA MÉDICO

PERIGO FRENTE AO COMPUTADOR

Num artigo publicado pela revista Ciência Hoje fomos alertados pela notícia de uma pesquisa realizada com 1.200 pacientes que comprovou que o excesso de exposição ao monitor do computador provoca sintomas de um problema baptizado de Síndrome da Visão do Usuário de Computador, mais conhecida como CVS (Computer Vision Syndrome).

"O grande mal acontece com as crianças, entre 7 e 14 anos, que passam até 14 horas diante dos monitores jogando", alertou o dr. Leôncio Queiroz Neto, oftalmologista do Instituto Penido Burnier de Oftalmologia de Campinas (Brasil), que analisou, durante 18 meses, 880 adultos e 320 crianças. "Muitos nos procuraram para uma consulta de rotina ou porque precisavam trocar o grau dos óculos. Depois de verificar os principais sintomas, constatamos que 75% deles, ou seja, 900 pessoas, apresentavam cefaleia, visão embaciada, olhos vermelhos ou secos, sendo 30% das crianças com a chamada miopia transitória."

Segundo o especialista, a miopia transitória é a dificuldade de enxergar de longe por conta da visão embaciada. Ela pode durar meses ou tornar-se um mal permanente, se os hábitos não forem modificados. "A criança com miopia transitória sente-se bem em frente ao computador, mas, como não vê longe, muitas vezes tem queda no rendimento escolar e os pais só percebem meses mais tarde", diz Queiroz Neto.

O médico afirma que a CVS é resultado da atenção concentrada por certo tempo sempre na mesma distância focal diante do computador. Além disso, as 16,7 milhões de cores geradas pelo monitor de vídeo sobrecarregam com toda esta variação de luminosidade o esfíncter iriano, musculatura que regula a entrada de luz até a retina. “As imagens em pixels exigem que essa musculatura focalize e desfocalize o cristalino milhares de vezes ao dia, o que naturalmente leva ao cansaço visual”, ressalta Queiroz Neto. "Outro problema é o excesso de luminosidade das lâmpadas e da luz natural, que muitas vezes reflectem no monitor e dificultam a visão. Este excesso deve ser evitado, pois as pupilas se contraem e também geram fadiga da visão.”

Para o oftalmologista, a exposição continuada a essas condições de luminosidade e o posicionamento inadequado diante do computador podem formar em longo prazo uma geração de míopes.

Entre os sintomas do CVS está a diminuição da quantidade de lágrima nos olhos, o que provoca uma menor protecção natural. O normal é que, a cada minuto, o indivíduo pisque vinte vezes. Utentes de computador tendem a piscar três a quatro vezes menos por minuto e, com isso, há uma redução de lubrificação. Além do risco de irritação e infecções, o problema pode lesar a córnea, principalmente para aqueles que usam lente de contato ou ficam em ambientes com ar-condicionado.

Tanto entre crianças como entre adultos, bastam duas horas ininterruptas de uso de playstation ou computador para que surjam sintomas do CVS.

De um modo geral, as últimas gerações estão propícias a doenças consideradas novas para medicina (como CVS, dores corporais etc.) devido ao progresso tecnológico e ao padrão de vida contemporâneo, entre eles o acesso ao computador, à televisão e o consumo de comidas do tipo fast-food.

Para amenizar os malefícios dessa actual realidade, os médicos recomendam a velha – mas adequada – solução de “prevenir antes de remediar”. "Procurar piscar mais vezes e respeitar a distância certa – de 60 cm – entre o monitor do computador e os olhos são algumas medidas preventivas, além de usar filtros de protecção", afirma o especialista. "Porém, é indispensável procurar um profissional sempre que aparecerem sintomas como vermelhidão, vista cansada ou dor de cabeça."

Não se esqueça!

A fim de evitar que seus filhos ou alunos prejudiquem os olhos reduza o tempo que eles passam frente a aparelhos como os televisores e os computadores. Obrigue-os também a piscar mais vezes os olhos a fim de os lubrificar melhor (sugestão: 20 vezes por minuto) e a manterem-se a cerca de 60 cm do monitor dos computadores.
Texto de Mário Cesar Filho in Ciência Hoje On-line (adaptado).

sexta-feira, novembro 25, 2005

CIDADANIA E EDUCAÇÃO NA ESCOLA


Quase todas as escolas têm, actualmente, um projecto que prega a educação para a cidadania. Na hora de escolher a escola, inclusive, muitos pais dão importância a esse item porque acreditam que esse é um valor importante no mundo actual e apostam que a escola cumpra essa missão. Mas, pelo jeito, ou essa tal educação existe só na teoria e no papel -esta é a hipótese mais próxima da realidade- ou a escola ensina e os alunos não aprendem, ou seja, ela não sabe ensinar.

Podemos levantar essas hipóteses a partir de situações que foram notícia nos jornais nos últimos meses em que jovens e a falta de comportamento civilizado caminharam lado a lado. A última notícia, aliás, merece destaque por ter ocorrido justamente dentro de uma escola, o campus de Franca da Universidade de S.Paulo (Brasil). Sete alunos do curso de História foram punidos com expulsão em virtude do protesto que fizeram na presença do reitor contra a falta de estrutura da universidade.

Em tempos democráticos, é difícil acreditar nessa história, mas basta saber a forma como o protesto foi realizado para entender. Os alunos urinaram, defecaram e vomitaram na frente das autoridades do campus universitário. Será que eles consideraram essa uma forma criativa de protestar? É bem possível que sim. Mas o que fizeram foi um enfrentamento violento e desrespeitoso.

O que é, afinal, educar para o exercício da cidadania? Esse é um conceito bem abrangente, mas alguns princípios estão, certamente, vinculados a ele. A escola que pretende educar para a cidadania precisa, por exemplo, ensinar a conviver com justiça, respeito e solidariedade, praticar a participação democrática efectiva, ensinar o compromisso com a liberdade, dar lições a respeito da responsabilidade com os deveres e da luta pelos direitos, entre alguns outros pontos.

Além de ensinar tudo isso tendo como eixo principal o conhecimento, a escola precisa também praticar o que ensina com todos os envolvidos no processo educativo. Isso acontece? Basta um dia em qualquer escola para testemunhar o contrário. E como a escola reage? A maioria é cega ou faz vista grossa para as contradições entre sua prática e seus anseios educacionais.

Para saber qual é o projecto político-pedagógico de uma escola, por exemplo, é preciso ler o documento em que ela declara o que pretende e como entende o que significa educar para a cidadania. Isso deveria ser possível, entretanto, apenas observando um dia de vida na escola, não é verdade?

A hostilidade e a agressividade nas relações de convivência entre alunos são fruto de muitos factores. Um deles é, sem dúvida nenhuma, a educação que recebem em casa e na escola. Por isso podemos concluir que pais e professores não têm estado atentos a essa questão.

Para exercitar a cidadania é preciso saber dialogar, debater, discordar e protestar. Com firmeza e com respeito. Mas pais e professores ensinam aos mais novos que participar é dizer o que se pensa, é expressar a opinião a respeito de algum assunto sem crítica nenhuma. Aliás, os adultos ensinam isso tanto pela educação que praticam quanto pelo próprio comportamento, sempre atentamente observado pelos mais novos.

Os jovens e as crianças não sabem o que é dialogar, negociar, ceder. Os argumentos que usam nos debates são, em geral, vazios e imaturos. Os estudantes da universidade que foram expulsos discordam da punição, é claro. Sabe qual a razão que usam, segundo a reportagem, para justificar o desacordo com a medida? Consideram a decisão "exagerada" porque todos os alunos envolvidos são primários. E pensar que são universitários do curso de história que têm esse discurso...

Pais e professores precisam saber que educar para o exercício da cidadania, ou seja, ensinar aos mais novos o que torna possível a convivência no espaço público e exigir que tenham comportamentos e atitudes coerentes com o que aprendem é uma questão de sobrevivência social.

Texto de ROSELY SAYÃO, psicóloga e autora de "Como Educar Meu Filho?" (ed. Publifolha). Fonte: Originalmente publicado no jornal Folha de S. Paulo (Brasil)

quinta-feira, novembro 24, 2005

O DIRECTOR DE ESCOLA IDEAL


Educar consiste numa série interminável de pequenos aconte-cimentos, conflitos periódicos e crises repentinas que exigem respostas. O carácter se forma através de trocas com outras pessoas e de situações vividas. A educação do carácter, por sua vez, necessita de uma presença que demonstre e um contacto que comunique.

Exige atenção e dedicação educar pessoas de bem, seres humanos com compaixão, dedicação e valor, pessoas cuja vida seja guiada por um núcleo de força e uma idéia de justiça com objectivos humanitários.

Para os pais, a vida atarefada não é resultado de uma programação minuciosa e sim fruto da casualidade. O trabalho supõe maior "stress" e menor tempo para participar da educação que gostariam de dar aos filhos. Com frequência, ao estarem com eles, pensam no que deixaram por fazer ou no que vão continuar fazendo logo após. É difícil presença plena.

Em momentos como esses é importante entender que educar é um processo, não um produto final, nem sequer uma parada na autopista da vida. Os filhos passarão por várias etapas em distintas velocidades. O dever de pais consiste em assegurar-lhes que alcancem o objectivo real de converterem-se em adultos emocionalmente inteligentes com o menor número de acidentes possíveis. E isto exige técnica.

Regras, rituais e disciplina não valem nada a menos que a intenção que os impulsiona proceda de uma pessoa tenaz, carinhosa e flexível. Os pais necessitam de aliados. Como a escola, por exemplo.

E, na escola, os "cúmplices" na educação dos filhos: directores e professores. O doutor James Comer, educador e autor de "A la espera de un milagro: las escuelas no pueden resolver nuestros problemas, pero nosotros sí podemos", observa que nunca em toda a história da humanidade os jovens receberam directamente tantas informações sem passar pelo "filtro" dos adultos que cuidam deles.

Pais e educadores têm sérios competidores pela atenção dos filhos/alunos, e suas influências se vêem atenuadas por uma imensidão de mensagens que os animam a actuar e pensar de maneira distinta.

Pesquisas recentes comprovam que pais sentem-se à vontade com o "Director-Pai": quer dizer, um director que demonstre conhecer seus filhos, que saiba apreciar o positivo e encarar com perspectivas de melhora os aspectos que são motivo de preocupação.

Um director empático se interessa por detalhes, acentua atitudes positivas, o exemplo e interesse dos pais por seus filhos. Esse director, o tom desse director com dom de gente igual aos pais, é otimista, sem ser fantasioso; afectuoso, sem chegar a familiaridades desnecessárias; breve, sem demonstrar pressa ou múltiplas ocupações. Deixa a família falar, ouve, toma nota de decisões para resolvê-las o mais rápido possível. Um director que conhece essas particularidades e se situa na mentalidade e vida dos pais e alunos não os faz esperar milagres e sim acreditar que personalizar também é educar.

Fonte: Zero Hora - RS
Opinião de Mara Rozane Bettega Debus, administradora e consultora educacional.

terça-feira, novembro 22, 2005

SUGESTÕES


BONS AUTORES DE LIVROS INFANTIS (1)

Kveta PacovskáKveta Pacovská, nasceu em Praga, em 1928. Obteve a sua formação académica na Academia de Artes Aplicadas de Praga em 1952 e desde 1960 que projecta livros infantis.

Kveta Pacovská não é apenas ilustradora e escritora de livros, e toda a sua obra se situa entre a pintura, escultura e artes gráficas. Nas suas esculturas em papel, onde figuras ficam suspensas em arame, pressente-se a influência das marionetas da sua cidade natal.

Os textos que Kveta apresenta nos seus livros são, normalmente, histórias simples mas que nos envolvem num mundo fantástico, só possível no mundo da fantasia e da criatividade. Os livros de Kveta Pacovská estão fora do conceito vulgar de livro ilustrado. São livros dinâmicos, com texturas, pinceladas e riscos com cores garridas que provocam grandes contrastes, abrem e fecham portas e janelas, dobragens que dão passagem para a criatividade.

Observar uma criança que manipula um livro da Kveta Pacovská, é observar as potencialidades deste objecto criativo que leva as crianças a contar outras histórias escondidas na “escrita” da ilustração. Sente-se a influência da arquitectura, onde se podem obter figuras tridimensionais tornando-se num jogo onde forma, sombra, luz e espaço coincidem naquele momento.

Qualquer dos livros desta autora/ilustradora se transforma num convite, muito forte, a entrar nele, viver nele, retirando dele inspiração para criar. (Reflexões sobre o texto de Maria de Jesus e Eduardo Filipe “Kveta Pacovská, Livros ilustrados ou escrita feita ilustração?”, na Malasartes nº 7, Dezembro de 2001).

Em português do Brasil, temos à venda “O Reizinho das Flores“, Ed. Martins Fontes, mas podemos encontrar outros títulos em francês e inglês como “Corne Rouge”, “Coleur, Coleur”, “Jamais Deux sans Trois” da Ed. Seuil Jeunesse ou “Green, Red, All”, “Flayng”, “Alphabet”, entre muitos outros.

Agradecemos a colaboração de Paula Viotti que vai continuar a oferecer-nos os seus oportunos comentários e sugestões sobre autores de literatura infantil.

quinta-feira, novembro 10, 2005


DIFICULDADES DE APRENDIZAGEM

“Dificuldade de Aprendizagem" (DA) é uma expressão genérica que refere um conjunto heterogéneo de desordens manifestadas por dificuldades significativas na aquisição e no uso da compreensão auditiva, da fala, da leitura, da escrita e da matemática. Tais desordens são intrínsecas ao indivíduo, presumindo-se que sejam devidas a uma disfunção do sistema nervoso que pode ocorrer e manifestar-se durante toda a vida.

Problemas na auto-regulação do comportamento, na atenção, na percepção e na interacção social podem coexistir com as DA. Apesar de as DA ocorrerem com outras deficiências (ex.: deficiência sensorial, deficiência mental, distúrbio socioemocional) ou com influências extrínsecas (ex.: diferenças culturais, insuficiente ou inadequada instrução pedagógica), elas não são o resultado de tais condições”.

Definição do Comité Nacional Americano de Dificuldades de Aprendizagem (National Joint Committee of Learning Disabilities, 1988):As DA constituem um ou mais défices nos processos essenciais da aprendizagem que necessitam de técnicas especiais de educação (definição por défice). As crianças com DA apresentam discrepância entre o nível da realização esperado e o atingido em linguagem falada, leitura, escrita e matemática (definição por discrepância). As DA não são devidas a deficiências sensoriais, motoras, intelectuais, emocionais e/ou a falta de oportunidade de aprendizagem (definição por exclusão)”.

A diferenças “Dificuldades de aprendizagem” (DA) e “incapacidades de aprendizagem” (IA) referem-se a realidades conceptuais diferentes: “As DA verificam-se em crianças normais, com um perfil motor adequado, uma inteligência média ou superior, adequadas visão e audição e uma adequada adaptação emcional, que, em conjunto com uma dificuldade de aprendizagem, constituem a base da sua caracterização psiconeurológica” (V.Fonseca, “Insucesso Escolar").

Conclui-se assim que o conceito de dificuldade não inclui nem engloba qualquer perturbação ou deficiência de inteligência ou da personalidade, estando, à partida, plenamente assegurado todo o potencial de aprendizagem do indivíduo. A “incapacidade de aprendizagem” refere-se já a uma situação diferente já que exprime uma desorganização funcional de actividades psiconeurológicas (perturbações, deficiências, etc).

Assim, segundo V.Fonseca, “as incapacidades de aprendizagem compreendem perturbações que incidem sobre a recepção, a integração (compreensão) e a expressão de funções práxicas e simbólicas que não estão ligadas nem a estados demenciais nem a lesões periféricas (input), ou propriamente a deficiências do aparelho periférico (output)”.

As incapacidades compreendem distúrbios provocados por lesões cerebrais mais ou menos graves dando origem a:

- agnosias tácteis (perturbações no reconhecimento das qualidades dos objectos tais como densidade, peso, textura, forma, etc.);
- agnosias auditivas (perturbações no reconhecimento e na identificação de sons, música ou palavras
- incompreensão da linguagem falada);
- agnosias visuais (perturbações do reconhecimento de objectos, pessoas, símbolos gráficos e espaços).
- afasias (compreendem perturbações que incidem na expressão e na compreensão da linguagem, a saber:
- afasia de Wernicke (incapacidade na formulação e na evocação de palavras);
- afasia de Broca (perturbação da linguagem espontânea e da articulação);
- anartria (perturbação na realização motora da fala não interferindo na compreensão da linguagem falada);
- alexia (perturbação visuoreceptiva da linguagem escrita).
- apraxias (perturbações que se reflectem na psicomotricidade):
- ideomotoras (perturbações do gesto elementar);
- ideatórias (gesto complexo);
- construtivas (visuoespaciais e sequenciais);
- específicas (do vestuário, da marcha, bucofacial, etc)
- acalculias (perturbações que se reflectem na capacidade de realização de cálculos elementares, dizendo especialmente respeito à integração e utilização de símbolos numéricos).

Cnclusão, as crianças ou os jovens com DA apresentam discrepâncias entre a capacidade ou a habilidade mental e o desempenho, reflectidas em resultados escolares insatisfatórios.